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Reações na Fase de Calor

Durante a fase de aquecimento, ocorrem no corpo uma leve hipertermia (aumento de calor), com todas as suas conseqüências diretas e indiretas.
Através da alta temperatura ambiental no local da sauna, é fornecido calor ao corpo, ao mesmo tempo em que há um impedimento da saída de calor do corpo. Já depois de alguns minutos de estadia na sauna, por isso, inicia-se a secreção de suor e, a seguir, ocorre um grande aumento da liberação de suor: o corpo perde, em media, cerca de 20-40 gramas de suor por minuto.
Embora cerca de 75% da quantidade de suor formada possa evaporar na pele, devido á baixa umidade relativa do ar no ambiente da sauna, e assim é retirado calor do corpo, esta medida não é suficiente para o organismo, para que a temperatura corporal seja mantida constante. A entrada de calor é maior que a perda de calor, ocorrendo um aumento sucessivo, primeiro da temperatura da pele e depois da temperatura corporal interna.
O aumento da temperatura da pele ela aumenta cerca de 10, passando de 30 – 32 °C, que é a temperatura normal, para cerca de 40-42°C, leva a uma reversão da queda de temperatura interior do corpo-pele.

Através de condução (de segmento de tecido para segmento de tecido) e principalmente através de convecção (via fluxo sanguíneo), é levado ao interior do corpo, alem da própria produção de calor, também calor de fora, aumentando a temperatura corporal interna em cerca de 2°C.
O sangue aquecido passa também pelo centro de temperatura no diencéfalo, e leva a uma dilatação dos vasos da pele e a uma ativação das glândulas sudoríporas. A maior circulação da pele é possibilitada por um aumento do volume-tempo cardíaco.
Através da ativação do Simpático ocorre, durante a estadia na sauna, um aumento continuo de freqüência cardíaca – ela aumenta cerca de 50% -, assim como um aumento de volume de pulsação e do volume-minuto cardíaco, que quase duplica. A maior circulação na pele e nos músculos é garantida pelo esvaziamento dos depósitos de sangue (fígado, baço, trato estomago-intestino), condicionado a hipertermia, e pele posterior redistribuição do sangue em direção a periferia. Devido á diminuição da resistência periférica – ela diminui cerca de 42-46%-, o aumento da atividade cardíaca durante a aplicação de calor não significa um aumento significativo de trabalho para o coração.

Como a hipertermia leva a uma dilatação dos vasos coronarianos cardíacos, melhorando, assim, o abastecimento do coração com oxigênio e substratos ricos em energia, o maior trabalho do coração devido ao calor, esta assegurado também sob este aspecto, de forma ideal.

A pressão sanguínea arterial não mostra na fase de calor um comportamento uniforme: em parte há um aumento pequeno, em parte pode-se detectar uma queda dos valores sistólico e diastólico da pressão sanguínea.
Evidentemente, nos casos normais, os valores da pressão sanguínea arterial quase não são influenciados pelos diferentes mecanismos periféricos e centrais opostos – diminuição da resistência periférica, aumento do volume minuto cardíaco. Somente nos hipertônicos (doentes com pressão alta) e hipotônicos (pessoas com pressão sanguínea muito baixa), pode-se observar nítidas reduções da pressão sanguínea ou um aumento ate os valores normais, respectivamente.

Paralelo ao aumento da freqüência cardíaca, há um aumento da freqüência respiratória e do volume da aspiração respiratória, levando a um aumento do volume-minuto respiratório. O organismo, através do maior volume-tempo respiratório, equilibra a absorção de oxigênio, que esta reduzindo devido ao aquecimento do ar.
A reduzida absorção de oxigênio é devido a um deslocamento para a direita da curva de ligação de oxigênio, e a uma rarefação do ar no calor. No ambiente quente da sauna, as mucosas da boca-nariz-faringe, através de uma circulação cerca de 7 vezes maior, esfriam o ar respirado, que neste ambiente tem uma temperatura de 80 -90°C, até aproximadamente a temperatura do corpo.
Através do sangue, que flui da mucosa em direção ao coração, é levado muito calor em direção ao interior do corpo, as superfícies dos pulmões são aquecidas cerca de 1-2°C, como na febre, e a temperatura do sangue, que esta toda mais alta, leva a uma menor combinação de oxigênio.

Juntamente com o menor teor de oxigênio do ar rarefeito pelo calor, ocorre, assim, uma menos absorção total de oxigênio, que precisa ser compensada por um aumento do trabalho respiratório. Como na fase de aquecimento a temperatura corporal interna é aumentada cerca de 1-2°C, o metabolismo do corpo todo cresce, segundo a regra RVT. O Metabolismo de energia aumenta cerca de 20-40%. Principalmente na pele – ela sofre, com cerca de 10°C, a maior elevação de temperatura do corpo-, o metabolismo das células aumenta cerca de 2 ou 3 vezes, o que tem um efeito favorável sobre sua alimentação e renovação.

Através da hipertermia, ocorre uma maior formação de anticorpos, que levam a uma melhor defesa, principalmente na região das vias respiratórias superiores.
A maior atividade das glândulas sudoríporas – por cm² de pele as pessoas possuem cerca de 100 glândulas sudoríporas, sendo que o numero total é de cerca de 2-3 milhões – leva ao fenômeno de desintoxicação.

Como o suor não se compõe apenas de água – ela representa 98-99% do suor –mas também de substancias como acido lático, ácidos graxos livres, aminoácidos, uréia, acido úrico e eletrólitos (principalmente sódio), ocorre, durante a transpiração, a eliminação de uma serie de resíduos do metabolismo, que se mostra favorável para o bem estar geral, ou seja, para uma rápida recuperação depois de cargas esportivas.
O liquido eliminado provem primeiramente do sangue – com isto ocorre um espessamento passageiro do plasmo sanguíneo – e depois recruta elementos aquosos intracelulares dos diversos tecidos (por exemplo, do tecido adiposo, conjuntivo ou muscular). Desta forma, ocorre um deslocamento do liquido, que se movimenta do espaço intracelular, através do espaço intersticial, para o espaço extracelular (vasos sanguíneos).
Para não prejudicar este deslocamento de liquido, com sua ação de desintoxicação da célula, não se deveria beber durante a sauna: a eliminação de água e resíduos não seria levada a cabo, pois o sangue retiraria seu complemento do trato estomago-intestino através do liquido ingerido e não das células.

Como já citado o suor em 3 saunas geralmente são eliminados 1-2 litros de liquido leva não só a uma perda de água, mas também de eletrólitos. Na maiores, ocorre no suor uma eliminação de sódio. Em cada litro de suor, o corpo perde cerca de 5g de cloreto de sódio (sal de cozinha). Deve-se observar que com o aumento do numero de saunas, a eliminação de sal aumenta. No entanto, de forma bem geral, o teor de eletrólitos é menor nas pessoas adaptadas ao calor, habituadas a sauna, do que nas pessoas não adaptadas: em comparação a concentração media de eletrólitos de cerca de 0,3% ela é determinada principalmente através da parcela de sal, alem de pequena parte de potássio, magnésio e cálcio, nas pessoas habituadas ao calor a concentração diminui para cerca de 0,03%.

Assim, as perdas de sal são bem menores nas pessoas adaptadas ao calor.

Também a parcela de aminoácidos no suor de pessoas adaptadas ou treinadas é menor que no de pessoas não adaptadas ou não treinadas. Pessoas habituadas a sauna, portanto, mostram no suor menores perdas em relação a substancias corporais importantes: suas glândulas sudoríporas “apreenderam” a lidar de forma cuidadosa com as substancias importantes para o corpo.

Como as perdas de água e eletrólitos na sauna geralmente são compensadas rapidamente depois da sauna, só se pode contar com uma substituição objetiva quando se faz 2 ou mais visitas a sauna por semana.

Por fim, a aplicação de calor ainda leva a descontração da musculatura, o que é especialmente favorável nos estados de tensão muscular, contratura muscular, miogelose, dores na coluna vertebral devido a músculos, e outros.
Reações na Fase de Resfriamento

Na fase de resfriamento existe uma grande queda de temperatura entre a alta temperatura da pele ela alcança como já citado, 40°C, e mais – e a temperatura ambiente. Por isso, durante a estadia no ar fresco e através da aplicação de água fria – a grande superfície da pele, que é de cerca de 1,5 a 2m², age aqui de forma auxiliar, é retirado calor da pele. Numa temperatura ambiente de 18 a 20°C, a temperatura da pele alcança novamente seu valor inicial depois de 20 minutos e a temperatura corporal interna, depois de cerca de 30 minutos. O fato de geralmente não surgir em resfriado na fase de resfriamento, quando feito de forma adequada, esta relacionado com o fato da taxa de calor armazenada no corpo durante a fase de aquecimento – estima-se que seja pelo menos 70 – 80 kcal (equivale a 280 – 320kJ), ter uma ação protetora contra as medidas de resfriamento.

A fase de resfriamento desencadeia no organismo uma série de reações, que agem de diferentes formas sobre os diversos sistemas do corpo.

A Fase de resfriamento começa normalmente com uma permanência de cerca de 8 – 12 minutos no ar fresco, que tem como função o resfriamento gradual da temperatura corporal e a saturação de oxigênio do sangue (deslocamento para a esquerda da curva de ligação de oxigênio) e com isto há um melhor abastecimento de oxigênio nos tecidos.
A permanência no ar fresco é seguida por uma utilização de água fria, que pode ser adaptada, de forma mais ou menos modificada, á capacidade de cada um suportar e agüentar.

Em geral precisa-se salientar que a utilização de água fria na fase de resfriamento apresenta alguns problemas, principalmente para pessoas com limitada capacidade
cardiocirculatória, uma vez que nesta fase ocorre uma alteração repentina da resistência periférica (através de vasocontrição), ligada a um aumento, mais ou menos acentuado, dos valores da pressão sanguínea arterial e uma queda rápida da freqüência cardíaca: a aplicação da pressão sanguínea diastólica (geralmente até 130 mm 11g = cerca de 17 kPa), mas principalmente da sistólica (geralmente até 200 mml, lg = cerca de 27 kPa).

No âmbito intra-arterial chegou-se a medir na submersão em piscina de água fria, pressões sanguíneas sistólicas de 180 mmHg (cerca de 24 kPa). É óbvio que este aumento repentino de carga pode pôr em perigo vital as pessoas com capacidade cardíaca limitada.
Como mostram as pesquisas de Broemme / Burba / Conradi, ocorre, de acordo com o tipo de resfriamento (ducha ou banho de imersão), um aumento mais ou menos acentuado da pressão sanguínea arterial.

O banho de imersão ocorre um aumento dos valores de pressão sanguínea arterial do que no resfriamento por ducha. Nos dois casos, no entanto, os valores iniciais dentro de cerca de 2 minutos.

O fato dos valores citados na figura 226 estarem nitidamente abaixo dos infra-arteriais, é devido certamente á forma do método de medição. Os valores determinados por Bromme/Burba/Conradi por meio de medição da pressão sanguínea segundo Riva-Rocci, ao contrário da medição intra-arterial, não mostraram picos curtops da pressão sanguínea.

Assim sendo, as pessoas com capacidade cardíaca limitada (pessoas velhas, hipertônicos, doentes cardíacos) deveriam abdicar em qualquer caso, do banho de imersão como medida de resfriamento e contentar-se, de acordo com o quanto suporta, com um resfriamento por ducha ou mesmo só com resfriamento no ar fresco.

A fase de resfriamento provoca uma diminuição da freqüência respiratória elevado. O e as extremidades superiores, devido a seu maior numero de receptores de frio, levam ao desencadeamento de impulsos mais fortes, que influenciam a respiração, do que as extremidades inferiores. Paralelamente a diminuição da freqüência respiratória, ocorre de acordo com o tipo de resfriamento uma queda, mais ou menos rápida, da freqüência cardíaca.

Nota-se que a freqüência cardíaca diminui mais lentamente através de resfriamento por ducha, e sua diminuição mais rápida ocorre através do banho de imersão, afundando a cabeça. O Resfriamento por banho de imersão sem afundar a cabeça está numa posição intermediária.

As diferenças nos valores da freqüência cardíaca (FC) durante o resfriamento apontam para o fato do sistema cardio-circulatório receber cargas de diferentes intensidades, através de diferentes medidas e velocidades de resfriamento.

O ECG de esportistas jovens, treinados, no resfriamento através de banho de imersão afundando o rosto – ele reage, devido ao seu grande numero de receptores de frio (50% de todos os receptores de frio da superfície do corpo encontram-se nesta região), de forma especialmente sensível a estímulos respectivos – mostrou, em quase 25% das pessoas testadas, alterações patológicas na forma de dissociação atrioventricular, anibição da atividade do marca-passo sino-auricular e alteração funcional do ritmo AV assim como uma assístole de mais segundos de duração.

Por isso deveria dar especial atenção a um resfriamento individualmente adaptado.

Para diminuir o “estresse de frio” que surge no resfriamento, o resfriamento deveria ocorrer de forma gradual e progressiva, a partir das extremidades inferiores (de periférico para central, para melhorar o refluxo do sangue venoso para o coração) em direção á cabeça.

Por fim, o resfriamento que segue a fase de aquecimento consegue, através da alternância de extrema vasodilatação e vasoconstrição, um extraordinário treinamento dos vasos, que não só proporciona um melhor enrijecimento e estabilidade contra infecções, mas também uma importante colaboração para o aumento da capacidade de regulação de todo o sistema cardio-circulatório.

Auxiliado pelas medidas de resfriamento, depois do estado de reação simpaticotônica, devido ao calor, ocorre uma reorganização em direção a um estado de reação parassimpaticotônica, que permanece por várias horas e que se caracteriza por uma diminuição das freqüências cardíaca e respiratória, assim como por uma orientação do metabolismo geral trofotrópico , que estimula os processos de recuperação e restabelecimento. Esta chamada oscilação vagatônica que segue a visita à sauna leva também a uma sensação de vigor e a seguir, sossego e cansaço agradável. |